sexta-feira, 3 de março de 2017

A BÍBLIA - INFORMAÇÕES GERAIS - 4ª Parte

Traduções da Bíblia:

A Sagrada Escritura
A Sagrada Escritura foi, ao longo dos séculos, sendo traduzida em diversos idiomas para favorecer seu anúncio e estudo. Na língua portuguesa existem atualmente inúmeras traduções, tanto nas Igrejas da reforma protestante, como na nossa Igreja Católica Apostólica Romana. Uma das mais conhecidas e mais utilizadas é, sem dúvida, a Bíblia Sagrada, edição pastoral, da Paulus. Para estudos mais profundos e mais científicos as recomendadas são a Bíblia de Jerusalém e a Bíblia do Peregrino. Mas vamos saber um pouco mais sobre a história das traduções dos textos bíblicos.

LXX ou Setenta ou Septuaginta:
Já vimos que a Bíblia surge das Sagradas Escrituras hebraicas, que eram conhecidas como TaNaK, contendo os Livros da Lei, os Livros Proféticos e os Escritos.

A mais antiga e importante tradução da Bíblia é a versão da língua hebraica para a grega, realizada aos poucos, entre o século III e o séc. I a.C., em Alexandria, no Egito. O nome SETENTA vem da lendária carta do século II a.C., (sem nenhum fundamento histórico), onde se afirma que a tradução grega foi feita por 70 rabinos a pedido do Faraó do Egito, Ptolomeu II Filadelfo (285-247) a.C., para a biblioteca de Alexandria. Daí o título: Tradução ‘dos SETENTA interpretes’.

É certo, porém, que no século III a.C. iniciou-se em Alexandria, no Egito, uma tradução da Bíblia para o grego. Essa tradução foi feita porque havia ali uma grande colônia de judeus que já não conseguiam ler o texto sagrado em hebraico. Tinham, portanto, necessidade de um texto bíblico que fosse compreensível, visto que falavam grego.

Começaram pelo Pentateuco (Lei) devido a sua importância. Seguiu-se depois a tradução das outras partes da Bíblia hebraica, os Profetas e os Escritos. 
Além de traduzirem os 39 livros da Bíblia Hebraica, os responsáveis pela versão grega acrescentaram outros 7 (sete) livros novos: Tobias, Judite, Baruc, Eclesiástico, Sabedoria, I e II Macabeus.

Também colocaram uma nova numeração nos Salmos. Por isso, em nossas Bíblias, os Salmos contêm dois números. O número maior é sempre o da Bíblia hebraica. O número menor, da Bíblia grega. Normalmente é colocado entre parênteses. Ex:. Sl. 39 (38).

A Setenta tornou-se a Bíblia da Igreja Católica, portanto o número menor do salmo é o nosso, católico.

Targum:
Desde a volta do exílio da Babilônia, no ano 538 a.C., os judeus falavam aramaico. Mas o hebraico continuou sendo a língua dos Livros Sagrados. Assim, nas sinagogas, o texto bíblico era lido em hebraico e imediatamente traduzido para o aramaico. Essas traduções receberam o nome de TARGUM (plural Targumim). Só a partir do final do século I d. C. é que se começou a redigir Targumim. Ao lado, uma página do Targum, com os texto hebraico traduzido para o aramaico.


Vetus Latina:
Quando o Latim tomou o lugar do grego na Igreja, começaram a surgir traduções latinas. É impossível saber quantas traduções foram feitas, mas convencionou-se chamá-las de VETUS LATINA a qualquer tradução latina do Antigo Testamento anterior à Vulgata.

O grande número de traduções produziu enorme diversidade de interpretações pelos tradutores, surgindo contradições entre os vários textos existentes, causando dificuldades aos leitores e estudiosos. Tal situação reclamava que se chegasse à unidade do texto bíblico, evitando-se que surgissem ambiguidades e heresias. 



Vulgata: 
A grande confusão dos textos latinos levou o papa Damásio I (366-384 d.C.) a propor um texto único para toda a Igreja. Encarregou São Jerônimo, famoso por seus conhecimentos bíblicos e linguísticos, de rever a Vetus Latina com base no texto grego. O novo texto latino recebeu o nome de VULGATA.

A Vulgata segue o cânon ou a lista dos livros da Setenta, com 46 livros para o Antigo Testamento, e acrescentou os 27 livros do Novo Testamento.

É muito provável que as primeiras edições da Vulgata surgem ainda em pergaminho, resultado do trabalho dos copistas, que eram os responsáveis por replicarem o texto original de São Jerônimo. 

Embora os chineses tenham inventado o papel no Século II, ele demorou a ser disseminado pelo mundo, sem contar que em seus primórdios era um material muito frágil. Ao que tudo indica, sua disseminação pela Europa ocorreu por volta do Século VI ou VII e, até a invenção da imprensa por Gutemberg, em 1.455, a reprodução da Bíblia era feita por copistas.   


Alguns Métodos de leitura da Bíblia

Primeiro: 
Começar pelo livro do Gênesis e terminar no Apocalipse. Esse tipo de leitura nos dá grande conhecimento de toda a história da salvação, mas é muito demorada e às vezes árida.

Segundo:
Começar pelos Evangelhos. Primeiro conhecer Jesus, sua mensagem. E depois, à luz de Jesus, ler todo o Novo Testamento e só então o Antigo. Esse método nos permite descobrir a centralidade de Jesus na História da Salvação. Descobrimos que o Novo Testamento está escondido no Antigo e que o Antigo está presente no Novo.

Terceiro:
Combinar a leitura do Antigo e do Novo Testamento. Uma forma de fazer esta combinação é seguir os textos bíblicos das missas diárias. Nos folhetos de liturgia dominical, no final, estão os textos das missas daquela semana.

Quarto:
Leitura Orante da Bíblia (Lectio Divina) – é o método que tem como finalidade vivenciar a espiritualidade orante pessoal e comunitária a partir do texto bíblico. 

Um monge chamado Guigo, por volta dos anos 1.150, percebia que lendo o texto bíblico era possível reler o passado à luz do presente, trazendo uma grande contribuição para o futuro. Guigo sentia que a Palavra de Deus comprometia e que o conjunto dos livros que formam a Bíblia era tido dentro de uma unidade. Dentro dessa unidade, percebia que estavam presentes três níveis de compreensão: literário, histórico e o teológico. Cada um tem sua especificidade, o primeiro está mais próximo do texto, o segundo leva mais em consideração a situação histórica em que o texto foi escrito e o terceiro está diretamente relacionado com a mensagem de Deus.

Orígenes é o grande idealizador do termo Lectio Divina. Muitos traduzem Lectio Divina por leitura divina, outros por leitura orante. O que nos importa é o valor que esse método tem para nossa vida. A Lectio Divina é resultado da prática da leitura que os cristãos faziam e fazem da Bíblia. Essa prática usada pelos cristãos, já é um resquício da tradição das comunidades do Antigo Testamento. As comunidades liam os textos bíblicos que eram passados de geração em geração. As nossas Comunidades de Base adotaram o método da "leitura orante da Bíblia" como uma de suas principais formas de estudo bíblico.

Ele é formado por (4) quatro elementos, a saber, na seguinte ordem:
  • Leitura: (O que diz o texto?) procura escutar, conhecer o texto, tendo em mente o seu lado literário, histórico e teológico.
  • Meditação: (O que o texto diz para mim/para nós?) procura o contexto da vida ontem fazendo uma interpretação e atualizando o seu significado para hoje.
  • Oração: (O que o texto me/nos faz dizer a Deus?) procura diante dos dois passos anteriores, elevar uma oração a Deus (louvor, ação de graças, petição, interseção, adoração, canto..) mantendo um diálogo fraterno e amoroso com Ele.
  • Contemplação: (O que o texto me/nos faz enxergar, compreender, comprometer?) é o momento do engajamento, do compromisso, do guardar na memória e no coração para ruminar, testemunhar, anunciar, silenciar.




Como Citar Textos Bíblicos
Em primeiro lugar, se indica o livro, usando sua abreviação. Em seguida, com o primeiro número, indica-se o capítulo e com o segundo, separado do primeiro por vírgula, o versículo. Ex.: Gn 2,4 = Gênesis, capítulo 2, versículo 4.

- Com um hífen, unem-se capítulos ou versículos. Ex.: Ex 10, 1-10  =  Êxodo, capítulo 10, versículos de 1 até 10.  Ex.  1-10   =   Êxodo, capítulos de 1 até 10.

- Com o ponto e a vírgula(;), separam-se duas citações diferentes. Ex. :Lc 10;14; Mc 2, 1-4  =  Lucas, capítulos 10 e 14, e Marcos, capítulo 2 versículos de 1 até 4.

- Com um ponto (.), separam-se versículos dentro do mesmo capítulo. Ex.: Lc 4,2.8.18  =  Lucas, capítulo 4, versículos 2, 8 e 18.

- Com um (‘s’), acrescentado depois do capítulo ou versículo, entendem-se o, ou os capítulos ou versículos seguintes. Ex.: 1Cor 8s =  Primeiro Coríntios, capítulos 8 e 9. 1 Cor 8, 1s  =  Primeiro Coríntios, capítulo 8, versículos um e seguintes.

- Quando se indica apenas uma parte de um versículo longo, acrescenta-se uma letra ao número que indica o versículo: (a), quando é o início do versículo, (b), o meio e (c), o final. Ex.: Gn 2, 4a  =  Gênesis, capítulo 2, primeira parte do versículo 4.

Explicação das Pontuações
A vírgula (,) separa capítulo de versículo, ou seja, o número que antecede a vírgula, sempre é capítulo.
O ponto e virgula (;) separa capítulos e livros.
O ponto (.) separa versículo de versículo, quando não seguidos.
O hífen (-) indica sequência de capítulos ou de versículos.
Quando um versículo é muito comprido ele é dividido em duas, três, quatro partes. Neste caso usam-se as letras a, b, c, ou d após o número do versículo.

O Povo da Bíblia
A Bíblia surge no meio de um povo do Oriente, o Povo de Israel. Este Povo cria uma literatura que relata sua história, suas reflexões, sua sabedoria, sua oração. Toda essa literatura é inspirada pela sua fé no único Deus que lhes revela: ‘Estou sempre com vocês’.

A Bíblia é o reflexo de uma vivência do Povo com seu  Deus e de Deus com seu Povo. Deus está na história do Povo, e, por isto, está na Bíblia. Por sua vez, a Bíblia vai ajudar o Povo a viver. É Deus, através da Bíblia, que anima e orienta seu Povo para continuar a lutar e viver e nunca desanimar. É por tudo isto que dizemos que a Bíblia é a Palavra de Deus. Revelação de Deus.

O Povo da Bíblia mora perto do mar Mediterrâneo, no Oriente Médio.

Inicialmente é um grupo de migrantes, vindos da Mesopotâmia (hoje Iraque). São chamados HEBREUS e descendem de Abraão.
Muita gente quer ser dona da terra onde moram esses hebreus. Os Cananeus, outros moradores de lá a chamam de CANAÃ. Os Israelitas a chamam de ISRAEL. Mais tarde será chamada PALESTINA: terra dos filisteus.

Para se entender a Bíblia é preciso fé no Deus vivo presente e atuante na história da humanidade, daí porque se diz que Ela não é um livro como qualquer outro.

O Povo que viveu e escreveu a Bíblia escolheu a palavra ‘Aliança’ para explicar seu relacionamento com Deus:

- O Deus que conversa, que questiona  (Gn 3, 9s)
- O Deus ‘que nos tirou do Egito, da escravidão’ (Êx 13,3)
- O Deus que habitou entre nós (Jo 1, 14)

Faremos mais um "stop" aqui, para que a leitura não fique muito longa e cansativa. Convém lembrar que para estudar a Bíblia, uma das virtudes mais necessárias é a persistência. Estamos na quarta parte das "informações gerais" e provavelmente, teremos ainda mais duas partes. Mas tudo isso é essencial para que aprendamos e entendamos melhor o texto bíblico. 

Até mais...

domingo, 19 de fevereiro de 2017

A BÍBLIA - INFORMAÇÕES GERAIS - 3ª Parte

Continuando nosso estudo introdutória sob a Bíblia, vamos ver algumas coisas mais sobre a Bíblia Hebraica e a Protestante. Depois sobre os idiomas originais no qual foram escritos os livros sagrados e qual o material utilizado. Veremos também algumas informações sobre datas e divisões dos livros em versículos a capítulos. São pontos importantes para conhecermos melhor os livros que servem de inspiração para a vida de muitos pessoas.

Bíblia Hebraica (TaNaK)

A Bíblia Hebraica é formada por 39 (trinta e nove) livros, divididos em três partes:

Lei ou Torá (cinco livros): Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.

Livros Proféticos ou Nebiim (21 Livros) divididos em:
- Profetas anteriores (6 livros): Josué, Juízes, I e II Samuel I e II Reis.
- Profetas Posteriores (15 livros): Isaías, Jeremias, Ezequiel, Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.

Escritos ou Ketubim (13 livros): Salmos, Jó, Provérbios, Rute, Cântico dos Cânticos, Eclesiastes, Lamentações, Ester, Daniel, Esdra, Neemias e I e II Crônicas.
Reunindo a primeira letra de cada uma dessas partes, os Judeus formaram a Palavra ‘TaNaK’ que designa a Bíblia Hebraica.

Bíblia Protestante

Ao separar-se da Igreja Católica, Martinho Lutero optou pela Bíblia Hebraica. Assim, na Bíblia Protestante, o Antigo Testamento contém apenas 39 livros.
Hoje, todas as diversas igrejas e seitas derivadas do protestantismo seguem a Bíblia de Lutero. Porém, devemos notar que, quanto à ordem dos livros do Antigo Testamento, a Bíblia Protestante segue a Católica. Já quanto ao Novo Testamento, não existem diferenças: Ambas contêm 27 livros e na mesma ordem:

Livros Históricos
Os Livros Históricos são 5 (cinco): Os Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João e Os Atos dos Apóstolos.

Livros Didáticos
Os Livros Didáticos correspondem às (21 cartas): Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, filipenses, Colossenses, I e II Tessalonicenses, I e II Timóteo, Tito, Filemon, Hebreus, Tiago, I e II Pedro, I , II e III João e Judas.

Livro Profético: Apocalipse.

As Cartas
As cartas são divididas em subgrupos:
- Grandes cartas: Romanos, I e II Coríntios e Gálatas.
- Cartas do Cativeiro: Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemon.
- Cartas Pastorais: I e II Timóteo e Tito.


Idiomas da Bíblia

A Bíblia foi escrita em três línguas: hebraico, aramaico e grego.

Hebraico
É a língua mais antiga das três, mesmo assim é considerada relativamente recente, já que sua escrita alfabética é posterior à invenção e à difusão da escritura alfabética no antigo Oriente-Próximo, ou seja, bem depois do século XV a.C.  Assim a Bíblia não pode assegurar textos anteriores ao século XII a.C. E as primeiras grandes redações não são realmente plausíveis antes do século IX a.C.
Em suas partes mais antigas, o Antigo Testamento só oferece alguns textos que podem remontar aos séculos XII e XI a.C.  Já os textos mais desenvolvidos só são datáveis dos séculos X – IX, e o essencial de uma redação mais organizada situa-se entre os séculos VIII e III a.C.
Essas datas vão estabelecer certa distância entre os mais antigos escritos que podemos levantar e os acontecimentos neles relatados. Assim, é preciso registrar espaços de cinco a oito séculos entre determinada personagem ou acontecimento e a referência escrita que o texto hebraico do Antigo Testamento apresenta sobre ela. Acrescentando  a isso o fato de que não só as personagens mais antigas como os patriarcas (Abraão, Isaac e Jacó), mas todos os personagens colocados em cena nos onze primeiros capítulos do livro do Gênesis, situados entre os séculos XVIII e XVI a.C., não falavam o hebraico, pois essa língua é relativamente tardia.
O hebraico foi utilizado como língua de redação do Antigo Testamento durante doze séculos.

Aramaico
É somente após o Exílio na Babilônia (ano 587, século V a.C.), que Israel começará a utilizar essa língua, que era, na época, a língua diplomática e comercial do Oriente-Próximo, isso no século VI a. C.
O Antigo Testamento só conserva alguns textos e partes de livros em aramaico, todos datáveis dos séculos III e II a.C.

Grego
Durante os dois séculos que precederam a nossa era e, portanto, no tempo de Cristo, o grego foi a língua judaica de uma grande parte do povo de Israel, talvez sua parte mais dinâmica, mais ativa. O Judaísmo egípcio e mais especificamente o de Alexandria, o Judaísmo da diáspora (os judeus que moravam fora de Israel) e uma parte do judaísmo palestino utilizavam a língua grega, às vezes exclusivamente, embora o hebraico provavelmente tivesse permanecido como língua litúrgica, sobretudo para a leitura na sinagoga.
Todos os livros do Novo Testamento foram escritos em grego.

Material de Escrita da Bíblia

Os  livros da Bíblia foram escritos primeiro em papiros e depois em pergaminhos.
Papiro: É uma planta que crescia às margens do rio Nilo. Suas hastes eram cortadas em pequenas tiras e sobrepostas umas às outras em forma de cruz. Depois eram coladas, prensadas e alisadas. Já era conhecido e usado no Egito desde 3000 anos antes de Cristo.
Escrevia-se com um pequeno pincel, pois um instrumento com ponta muito fina podia rasgar a folha.

Sua textura aparece na figura ao lado.
Era guardado em rolos de vários metros,  e sua largura era de aproximadamente 45/50 cm. Foi amplamente utilizado no Antigo Egito e, além de servir para a escrita, a fibra da raiz e das hastes do papiro era utilizada na fabricação e calafetagem de embarcações, na confecção de pavios de candeeiros a óleo, em esteiras, cestos e cordas, na confecção de sandálias e vários outros objetos.



Pergaminho: Couro de ovelhas ou de cabras, especialmente preparado. Foi inventado em meados do ano 100 a.C.. Era material muito mais resistente que o papiro, porém muito mais caro.
Escrevia-se com um instrumento de escrita com ponta mais fina que o utilizado no papiro.
Atribui-se o nome de pergaminho como derivado da cidade de Pérgamo, onde acredita-se que essa técnica tenha surgido.
Assim como o papiro, após o término de processo de raspagem e lixamento do couro, a peça era cortada em folhas de igual tamanho e coladas umas as outras no sentido horizontal e depois enroladas para serem utilizadas na escrita.


Quando surgiu o papel, inventado pelos chineses, o uso do pergaminho foi relegado ao quase esquecimento, pois o novo material tinha custo bastante inferior e propiciou a difusão de material escrito. Atualmente, o uso do pergaminho é restrito à confecção de diplomas universitários e em letras e t´tulos do Tesouro Nacional, por ser uma material considerado muito difícil de ser falsificado. 


Idade dos textos

Não possuímos o texto original de nenhum livro da Bíblia. Apenas cópias mais ou menos exatas.

Em Qumran, às margens do Mar Morto, em 1947, foram encontrados textos bíblicos que datam do século II a. C. Foram encontrados textos de todos os livros do Antigo Testamento com exceção de Ester, Judite, Baruc, Sabedoria e I e II de Macabeus. Até então tínhamos textos em hebraico que datavam do século VI, VII e X d.C.

Os textos mais antigos escritos em grego, nos livros do Novo Testamento, datam do século IV d.C.

Capítulos e versículos



Nos livros “originais” da Bíblia não havia separação entre as palavras, nem vogais, não havia sinais de pontuação, nem títulos para ajudar a localizar as passagens bíblicas. Aliás, as línguas originais da Bíblia são de difícil compreensão para nós, ocidentais. Para começar, as frases eram escritas de trás para a frente, ou seja, da direita para a esquerda, só com consoantes e seu alfabeto mais parecia desenhos do que letras. Só para se ter uma ideia, transcrevemos abaixo o primeiro versículo bíblico: na primeira linha, a escrita; na segunda, a pronúncia e; na terceira a tradução para o português.


No princípio criou Deus[Elohim] os céus e a terra.



בְּרֵאשִׁיתBËRESHYTNO princípioבָּרָאBÅRÅcriouאֱלֹהִיםELOHYMDeus[Elohim]אֵת הַשָּׁמַיִםET HASHÅMAYMos céusוְאֵתVËETeהָאָרֶץ:HÅÅRETS:a terra.








Com as traduções, surgiu a necessidade de dividir o texto sagrado, especialmente para facilitar a leitura litúrgica nas sinagogas. As primeiras divisões são atribuídas aos "massoretas", como eram conhecidos os  judeus que se dedicaram a preservar e cuidar das escrituras que atualmente constituem o Antigo Testamento. O termo indica também os comentadores hebraicos dos textos sagrados. Eles atuaram entre os anos 500 a 1000 d.C. Diversos sistemas foram usados, tanto entre os judeus (“Sedarim”; “Perashiyyot”; “Pesuquim”) como entre os cristãos (“Cánones eusabiani”, de Eusébio de Cesareia), para dividir os textos em 1162 seções.

Divisão em capítulos
Estêvão Langton, arcebispo da Cantuária, que havia sido chanceler da Universidade de Paris, fez a divisão do Antigo e do Novo Testamentos em capítulos, a partir do texto latino da Vulgata de São Jerônimo, por volta do ano 1226. Da Vulgata, passou ao texto da Bíblia hebraica, ao texto grego do Novo Testamento e à versão grega do Antigo Testamento. Ele estabeleceu uma divisão em capítulos, mais ou menos iguais, muito similar à que temos em nossas Bíblias impressas. Esta divisão se tornou universal.

Divisão em versículos
São Pagnino (1541), judeu convertido, depois dominicano, originário de Luca (Itália), dedicou 25 anos à sua tradução da Bíblia, publicada em 1527, e foi o primeiro em dividir o texto em versículos numerados. Esta versão foi impressa em Lion. Era uma versão muito literal que constituiu um ponto de referência entre os humanistas da época, e foi reimpressa várias vezes.

Roberto Estienne, prestigiado impressor, realizou a divisão atual do Novo Testamento em versículos em 1551. Em 1555, fez a edição latina de toda a Bíblia. Para os versículos do Antigo Testamento hebraico, ele utilizou a divisão feita por São Pagnino. Para os demais livros do Antigo Testamento, elaborou uma própria e utilizou para o Novo Testamento a que, poucos anos antes, ele mesmo havia realizado.

O recurso de dividir o texto bíblico em capítulos e versículos numerados permite, desde então, encontrar imediatamente uma passagem, seja qual for a paginação adotada por uma edição.
Esta é uma ferramenta fundamental para os pesquisadores, e para que todos possam ter uma mesma referência.

Nós não contamos o número de capítulos e versículos da Bíblia, mas a informação corrente é que são 1.328 capítulos e 40.030 versículos.


Bom, vamos dar um stop aqui. No próximo post, vamos falar um pouco sobre as diversas traduções da Bíblia, alguns métodos de leitura e como usar as citações.


Até lá. Fraterno abraços a todos! 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

A BÍBLIA - INFORMAÇÕES GERAIS - 2ª Parte

Novo Testamento

O Novo Testamento é a parte da Bíblia onde encontramos o anúncio da pessoa de Jesus Cristo. Ele veio ao mundo para estabelecer uma Aliança definitiva entre Deus e os homens. Os primeiros quatro livros são os EVANGELHOS.



Evangelho - É uma palavra grega que significa ‘boa notícia’. São escritos que nasceram em comunidades cristãs entre 30 e 70 anos depois da morte de Jesus, refletindo suas necessidades, seus problemas e seu compromisso de fé. Todos os fatos relatados ocorreram depois do nascimento de Jesus Cristo (d.C. = depois de Cristo).

Os Evangelhos são 4 (quatro): Mateus, Marcos, Lucas e João
Mateus, Marcos e Lucas são chamados de sinóticos (= olhar juntos), pois têm muitas coisas em comum entre si.

Evangelho Segundo Mateus (Mt) -  O Evangelho de Mateus é dirigido especialmente aos Judeus convertidos; por isso, tem o cuidado de mostrar que Jesus de Nazaré é o herdeiro das promessas feitas por Deus a Davi. Portanto, Jesus é o Messias anunciado pelos profetas.

Evangelho Segundo Marcos (Mc) - É a redação mais antiga dos evangelhos, feita no ano 70 d.C., provavelmente em Roma, onde o autor pôde ler e meditar as cartas de São Paulo. Marcos põe em evidência os milagres de Jesus, pois pretende mostrar a bondade do Senhor e sua divindade, não se preocupando muito com as datas. Seu Evangelho se dirige especialmente aos cristãos vindos do paganismo; portanto, de origem grega ou romana.

Evangelho Segundo Lucas (Lc) - Lucas apresenta a vida  e a atividade terrestre de Jesus como uma grande viagem que vai da Galileia até Jerusalém, centro político do judaísmo. É também o evangelista que mais fala sobre o nascimento e a infância de Jesus. Dirige-se especialmente aos cristãos de origem pagã: gregos e romanos. A originalidade de Lucas foi escrever 2 (dois livros) - Evangelho e Atos. Ele viveu em contato com os pagãos convertidos, demonstrando assim grande preocupação missionária.

Evangelho Segundo João (Jo) -  João escreve seu Evangelho de maneira original, penetrando o mistério das humilhações e da glória do Cristo. Fala da ‘vida Eterna’ como realidade já presente na terra, na Pessoa de Jesus. João escreve não aos pagãos, mas aos cristãos. Um evangelista da escola de João transcreve a pregação do apóstolo. Um redator final deu a forma que chegou até nós (ano 100 d.C.).

Atos dos Apóstolos (At) - Atos dos Apóstolos encontra-se depois dos Evangelhos. Afirma que Jesus Cristo morreu e ressuscitou, completando sua missão aqui entre nós e que depois dele, quem vai continuá-la será o Espírito Santo por meio dos apóstolos e evangelizadores, até os extremos dos confins da terra. Fala da época na qual nasce a Igreja. No livro dos Atos é apresentada a atividade dos Apóstolos como grande viagem que vai de Jerusalém até Roma, o centro do mundo naquela época. Quatro pontos se destacam no Livro: O Anúncio, a Catequese, a vidas das Comunidades e a Missão. Foi escrito entre os anos 80 e 90 d.C. por Lucas, o mesmo autor do 3º Evangelho. A Tradição, desde o II século, o identifica com o médico que acompanhou Paulo em parte de suas viagens.

As cartas de Paulo
As Cartas de são Paulo encontram-se depois dos Atos dos Apóstolos. Elas são respostas a situações concretas e a problemas específicos das primeiras comunidades cristãs, fundadas pelo grande anunciador do Evangelho, espalhadas em terras pagãs. Releva observar que as Cartas de Paulo são anteriores aos Evangelhos. Revelam as dificuldades, a perseverança e a ousadia na grande missão de fazer surgir grupos cristãos em meio a situações contrárias ao Evangelho. Podem ser divididas em 2 (dois) grupos: Cartas para as Comunidade e Cartas Pastorais.
Nota: Convém observar que algumas Cartas atribuídas a Paulo pela tradição, tem hoje sua autoria discutida ou mesmo contestada e, isso se deve, como dissemos, à evolução das ciências aplicadas ao estudo das Sagradas Escrituras. Esse assunto será abordado com mais detalhes futuramente.

Cartas para as Comunidades
As Cartas para as Comunidades são àquelas enviadas por Paulo às comunidades que ele fundara. Elas são 9 (nove).

Carta aos Romanos (Rm) - Somente a fé em Jesus Cristo pode salvar. Paulo não fundou esta comunidade.

1ª Carta aos Coríntios (1ªCor) - Ensina como superar os conflitos na comunidade. Corinto era uma rica cidade comercial. Paulo fundou a comunidade entre os anos 50 e  52 d.C.

2ª Carta aos Coríntios (2ªCor) - Nos diz que a força se manifesta na fraqueza. É, portanto, uma dose de ânimo para a comunidade que se sente desanimada.

Carta aos Gálatas (Gl) - A Galacia era uma região da Ásia Menor.  E esta carta é um manifesto da liberdade cristã.

Carta aos Efésios (Ef) - Tem com eixo central, o Mistério e a vida da Igreja. Paulo escreveu esta carta na prisão.

Carta aos Filipenses (Fl) - Felipos foi a 1ª cidade europeia a receber o Evangelho. Essa carta tem como objetivo fornecer critérios para distinguir o verdadeiro Evangelho.

Carta aos Colossenses (Cl) - Colossos era uma pequena cidade da Ásia Menor. Esta carta tem como objetivo principal afirmar que Cristo é a imagem do Deus invisível.

1ª Carta aos Tessalonicenses (1ªTs) - É o primeiro escrito do NT (50-51 d.C.). Tessalônica era uma grande cidade comercial.  Esta carta tem como eixo central: a fé, a esperança e o amor.

2ª Carta aos Tessalonicenses (2ªTs) -  O tema central desta carta é: Como resistir aos conflitos.

As Cartas Pastorais
As cartas Pastorais são àquelas enviadas para as lideranças das comunidades.  Elas são 5 (cinco).

1ª Carta a Timóteo (1ªTm) - Timóteo foi discípulo e colaborador de Paulo. Esta carta é uma instrução para o ministério.

2ª Carta a Timóteo (2ªTm) - Foi escrita na prisão em Roma (ano 67 d.C.). Nela Paulo faz algumas considerações sobre os últimos dias.

Carta a Tito (Tt) - Tito é o delegado pessoal de Paulo na ilha de Creta. Esta carta fala da sã doutrina, isto é, a vontade salvadora de Deus trazida por Cristo.

Carta a Filemon (Fl) -  Esta é uma carta de recomendação para o escravo Onésio, cujo objetivo é alertar para o preconceito e exploração. ‘Em Cristo somos todos irmãos’.

Carta aos Hebreus (Hb) - Escrita por um discípulo de Paulo e trás como mensagem central: Cristo, Único e verdadeiro Sacerdote.

As Cartas Católicas
As cartas católicas são  àquelas encontradas logo depois das Cartas de Paulo. A palavra católica significa ‘universal’. Essas cartas são assim chamadas porque foram escritas para uma comunidade ou pessoa em particular, mas endereçada a toda a Igreja. Elas são 7 (sete).

Carta de São Tiago (Tg) - Autor: Judeu de origem grega do final do I séc. Para ele a fé sem obras é morta.

1ª Carta de São Pedro (1ªPd) - Esta carta foi escrita para as comunidades da Ásia Menor. Ela chama a atenção para a autenticidade do testemunho.

2ª Carta de São Pedro (2ªPd) - É o último escrito do NT (meados do séc. II). Ela ensina como perseverar na esperança.

1ª Carta de São João (1ªJo) - O objetivo do autor é afirmar que o dinamismo da Fé é o Amor.

2ª Carta de São João (2ªJo) – Esta carta é um complemento da primeira. Aqui o autor convida a Igreja a viver na verdade.
As duas cartas foram escritas no fim do séc. I por João ou um discípulo  seu  e dirigidas às comunidades da Ásia Menor.

3ª Carta de São João (3ªJo) - Fala dos Cooperadores da verdade. É uma carta de encorajamento.

Carta de Judas (Jd) - Escrita no final do séc. I. Tem como objetivo principal, não deixar que a fé se enfraqueça.

Apocalipse

Apocalipse é uma palavra grega que quer dizer: ‘Revelação’: Revelação de Jesus Cristo (Ap. 1,1) O Apocalipse de São João é o último livro da Bíblia. Nele o autor usou uma linguagem cheia de símbolos, porque se dirigia às comunidades que viviam em meio à perseguição romana, no fim do séc. I.

No post anterior vimos uma pequena síntese dos livros do Primeiro Testamento. Nesse post, a mesma coisa sobre os livros do Segundo Testamento (alguém poderá dizer que isto é pleonasmo, pois síntese quer dizer pequeno resumo), mas queremos reforçar e chamar a atenção que se trata realmente do mínimo de informações sobre cada livro, pois o estudo mais aprofundado será feito posteriormente, quando da abordagem de cada um dos livros. Nosso próximo post consistirá na terceira parte das Informações Gerais, abordando assuntos relevantes para nossos estudo.

Até lá. Fraterno abraço a todos.